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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Sobre pesquisa:

> Gazeta de Alagoas, 09/12/2011 - Maceió AL
Expriência com a pesquisa
JOÃO RODRIGUES SAMPAIO NETO
A pesquisa representa um interminável processo de acúmulo sistemático do conhecimento humano. É fascinante perceber a pequeneza do saber individual enquanto é imenso o conhecimento da humanidade. A busca interminável de novas descobertas, o questionamento constante e sistemático da realidade existente e as contradições de concepções refletem a eterna procura do homem pela verdade do universo que o cerca. O desejo de encontrar respostas cada vez mais consistentes leva o homem ao questionamento constante da verdade vigente, desencadeando um processo de reflexão e observação dessa realidade, induzindo a busca por explicações calcadas sob uma nova perspectiva: a razão. É nesse terreno fértil do surgimento de novas ideias e perspectivas que o pensamento filosófico vai sendo construído, com o intuito de aprofundar os fundamentos racionais ao encontrar respostas e produzir novas perguntas.

Para a ciência e para a filosofia, o pensamento tem que ser rigoroso, um suporte lógico e teórico que fundamente a realidade das suas afirmações com o inexorável compromisso com a verdade. No entanto, não convém afirmar que existe apenas a verdade científica, pois, de acordo a visão ou interpretação da realidade, material ou imaterial, a verdade advém de uma determinada área da cultura da humanidade. Além da ciência, as áreas da cultura são a filosofia, a arte, a teologia e o senso comum. Na pesquisa das ciências sociais e humanas, na sua marcha do conhecido para o desconhecido, existe uma relação intensa entre sujeito e objeto. Nessa relação, o pesquisador assume o papel de
autor do texto científico. No entanto, não é um papel com características comuns. Possui propriedades complexas e peculiares, específicas da produção científica.

O discurso científico possui uma estrutura global fundamentada em convenções instituídas pela comunidade acadêmica no decorrer dos anos, com características que conservam alguns atributos específicos até a atualidade. Tais atributos estão configurados na impessoalidade, objetividade, clareza e coerência. A relevância social e científica da pesquisa está ligada ao pressuposto do caráter e do contexto social da produção do conhecimento, que por sua vez fica assegurado na necessidade de sua comunicação. Ao pesquisador não basta unicamente o conhecimento científico adquirido, é necessário a visão de algo relevantemente novo.


segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Autora de avaliação infantil criticada por pesquisadores virá ao Brasil convidada pelo Governo

NOVEMBRO 28, 2011
, uma das autoras do ASQ-3 (instrumento de avaliação do desenvolvimento infantil que o Observatório analisou neste mês) virá ao Brasil no início de dezembro. A Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência (SAE) vai trazê-la a Brasília no próximo dia 5, segunda-feira, para uma apresentação do instrumento.
Esse método se refere à avaliação de crianças de dois meses a cinco anos e meio de idade, por meio de um instrumento criado, em 1997, nos Estados Unidos. O ASQ-3® é utilizado em 31 estados dos EUA, segundo o próprio site do método, e em diferentes países do mundo como Quênia, Zâmbia, Equador e Chile. No Rio de Janeiro, foi aplicado com apoio da SAE a 46 mil crianças de creches (de 0 a 3 anos), e agora será expandido às pré-escolas (4 e 5 anos).
O modelo é tomado como referência para a SAE, que trouxe a discussão para o Seminário Cidadão do Futuro, realizado em Brasília no mês de outubro. O fato tem gerado críticas dos profissionais e pesquisadores do campo da educação infantil, que condenam a avaliação de crianças.
O Movimento Interfóruns de Educação Infantil do Brasil (Mieib) tem se mobilizado contra a recente onda de avaliações infantis desde que o ASQ-3 foi aplicado no município do Rio de Janeiro.
Em outubro, a SAE realizou seminário sobre educação infantil que abordou esse assunto, e na época o Mieib entregou um manifesto contrário a essas ideias à Secretária de Direitos Humanos, Maria do Rosário. Malu Flores, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, que também participa do Mieib, diz que o Movimento está confeccionando nova carta sobre esse assunto: “em nosso Encontro Nacional ocorrido em Salvador na semana passada, discutimos o assunto e encaminhamos algumas ações propostas em nossa Carta de Salvador, que em breve será divulgada”.
O Movimento ainda entregou uma carta à presidenta Dilma, que esteve em Salvador semana passada: “um grupo de representantes de nosso Colegiado teve a possibilidade de ir ao seu encontro, entregando em mãos os documentos de que dispomos no momento: Manifesto do Mieib pela Educação Infantil, e posicionamentos dos Fóruns do Rio de Janeiro e de São Paulo sobre o uso do ASQ-3”, informou a professora.